Sobre o colóquio

A progressiva consolidação dos estudos ibéricos no âmbito internacional e a sua previsível expansão nos próximos anos convidam-nos a refletir sobre a relocalização que este novo quadro de trabalho implica para os estudos galegos, bascos e catalães. O presente colóquio internacional surge como uma proposta para repensar tanto os estudos ibéricos a partir da “periferia” representada por estas realidades, como os âmbitos de estudo galego, basco e catalão à luz das novas tendências analíticas dominantes no plano internacional.

Dando continuidade a outros encontros científicos organizados pelo Centro de Estudos Comparatistas sobre os estudos ibéricos – Looking at Iberia from a Comparative European Perspective (2011) e Estudos ibéricos: novos espaços (2016) –, este colóquio pretende uma abordagem específica dos espaços sociais galego, basco e catalão como realidades complexas e com dinâmicas próprias mas propícias, simultaneamente, para a experimentação e a inovação metodológica.

Algumas das questões que estão na origem desta convocatória são:

— Em que medida os estudos ibéricos são um espaço útil ou procurado pelos campos de estudo basco, galego e catalão? Pode o quadro dos estudos ibéricos atuar como via de internacionalização para estes casos ou é por si próprio um espaço autónomo de trabalho? A atenção que os estudos ibéricos dão às realidades galega, basca ou catalã é equivalente à concedida aos casos espanhol e português? Atuam os estudos ibéricos como elemento homogeneizador ou promovem o reconhecimento das diferenças?

— Como dialoga a noção de ibérico com outras como a de hispânico e os seus constructos académicos derivados: estudos ibéricos e estudos hispânicos? Que lugar ocupam os estudos portugueses? São os estudos ibéricos uma proposta unicamente factível ou relevante fora das fronteiras do Estado espanhol? Em que medida os estudos ibéricos dependem ou assentam no enquadramento académico anglófono? Em que outros espaços académicos está a vigorar esta área disciplinar, e que particularidades adota o campo em função da sua localização geográfica, científica e institucional?

— Que posição ocupam as diferentes áreas de estudo tradicionais (estudos literários, culturais, historiográficos, artísticos, linguísticos, etc.) dentro dos estudos ibéricos? Existem divergências ou desequilíbrios na integração destes diferentes âmbitos disciplinares – relativos aos casos basco, galego e catalão – nos estudos ibéricos? Como dialogam os estudos ibéricos com outras áreas de conhecimento emergentes como os estudos regionais, os estudos de área, os estudos pós-coloniais, os estudos globais ou a literatura-mundo?

— Tendo em conta as diferenças na configuração e no grau de projeção internacional, podem estas três realidades – catalã, galega e basca – ser situadas ou focadas ao mesmo nível? Deve considerar-se que perdura o seu papel como referentes de analogia (Beramendi, 1991) entre si, funcionando como espelhos a imitar? Continuam operativas na análise dos casos catalão, basco e galego noções como a de emergência ou algum tipo de ferramenta conceptual que marque a subordinação como subsistema, subcampo, delegação sistémica, literatura ou cultura de menor difusão/marginal/minoritária/periférica/dependente/pequena ou menor? Perduram casos como a Bélgica, o Quebeque, a África do Sul ou outros como referentes de análise e importação de modelos?

— Em que grau se produziu uma atualização teórico-metodológica nos estudos bascos, galegos e catalães que dialogue, foque ou incorpore as consequências da globalização e da hibridação cultural (García Canclini, 1989)? Simultaneamente, existe uma leitura renovada da heteronomia dos campos culturais (Bourdieu, 1991, 1992), à luz das mutações experimentadas nos campos político e económico em anos recentes? Em que medida os estudos galegos, bascos e catalães incorporaram as tendências analíticas das últimas décadas (como a viragem cultural ou espacial, a incorporação dos estudos de género e a teoria queer ou, mais recentemente, o acompanhamento da ecocrítica e da viragem afetiva)? São aplicáveis e/ou relevantes leituras pós-nacionais e/ou pós-coloniais nestes contextos?

— Como é que os estudos ibéricos definem e conceptualizam o seu próprio objeto de estudo (a Península Ibérica como espaço geocultural)? Que tipo de hierarquias se estabelecem entre estados, nações e regiões no interior da Península? Como é que este objeto de estudo integra ou exclui fenómenos que ultrapassam as fronteiras geográficas ou políticas, como as migrações, as diásporas, as relações insulares ou de colonialidade?


Sobre el coloquio

La progresiva consolidación de los estudios ibéricos en el ámbito internacional y su previsible expansión en los próximos años nos invitan a reflexionar sobre la relocalización que este nuevo marco de trabajo implica para los estudios gallegos, vascos y catalanes. El presente coloquio internacional surge como una propuesta para repensar tanto los estudios ibéricos a partir de la “periferia” representada por estas realidades, como los ámbitos de estudio gallego, vasco y catalán a la luz de las nuevas tendencias analíticas dominantes en el plano internacional.

Dando continuidad a otros encuentros científicos organizados por el Centro de Estudos Comparatistas sobre los estudios ibéricos —Looking at Iberia from a Comparative European Perspective (2011) y Estudos ibéricos: novos espaços (2016)—, este coloquio propone una aproximación específica a los espacios sociales gallego, vasco y catalán como realidades complejas y con dinámicas propias pero propicias, simultáneamente, para la experimentación y la innovación metodológica.

Algunas de las cuestiones que están en el origen de esta convocatoria son:

— ¿En qué medida los estudios ibéricos son un espacio útil o buscado por los campos de estudio vasco, gallego y catalán? ¿Puede el marco de los estudios ibéricos actuar como vía de internacionalización para estos casos o es por sí mismo un espacio autónomo de trabajo? ¿La atención que los estudios ibéricos prestan a las realidades gallega, vasca o catalana es equivalente a la concedida a los casos español y portugués? ¿Actúan los estudios ibéricos como elemento homogeneizador o promueven el reconocimiento de las diferencias?

— ¿Cómo dialoga la noción de ibérico con otras como la de “hispánico” y sus constructos académicos derivados: estudios ibéricos e estudios hispánicos? ¿Qué lugar ocupan los estudios portugueses? ¿Son los estudios ibéricos una propuesta únicamente factible o relevante fuera de las fronteras del Estado español? ¿En qué medida los estudios ibéricos dependen de o se asientan en el contexto académico anglófono? ¿En qué otros espacios académicos está en vigor esta área disciplinar, y qué particularidades adopta el campo en función de su localización geográfica, científica e institucional?

— ¿Qué posición ocupan las diferentes áreas de estudio tradicionales (estudios literarios, culturales, historiográficos, artísticos, lingüísticos, etc.) dentro de los estudios ibéricos? ¿Existen divergencias o desequilibrios en la integración de estos diferentes ámbitos disciplinares —relativos a los casos vasco, gallego y catalán— en los estudios ibéricos? ¿Cómo dialogan los estudios ibéricos con otras áreas de conocimiento emergentes como los estudios regionales, los estudios de área, los estudios postcoloniales, los estudios globales o la literatura mundial?

— Teniendo en cuenta las diferencias en la configuración y en el grado de proyección internacional, ¿pueden estas tres realidades —catalana, gallega y vasca— ser situadas o enfocadas al mismo nivel? ¿Debe considerarse que perdura su papel como referentes de analogía (Beramendi, 1991) entre sí, funcionando como espejos a imitar? ¿Continúan operativas en el análisis de los casos catalán, vasco y gallego nociones como la de emergencia o algún tipo de herramienta conceptual que marque la subordinación como subsistema, subcampo, delegación sistémica, literatura o cultura de menor difusión/marginal/minoritaria/periférica/dependiente/pequeña o menor? ¿Siguen siendo casos como Bélgica, Quebec, o Sudáfrica referentes de análisis e importación de modelos?

— ¿En qué grado se produjo una actualización teórico-metodológica en los estudios vascos, gallegos y catalanes que dialogue, enfoque o incorpore las consecuencias de la globalización y de la hibridación cultural (García Canclini, 1989)? Simultáneamente, ¿existe una lectura renovada de la heteronomía de los campos culturales (Bourdieu, 1991, 1992), a la luz das mutaciones experimentadas en los campos político y económico en años recientes? ¿En qué medida los estudios gallegos, vascos y catalanes han incorporado las tendencias analíticas de las últimas décadas (como el giro cultural o espacial, la incorporación de los estudios de género y de la teoria queer o, más recientemente, el surgimiento de la ecocrítica y del giro afectivo)? ¿Son aplicables y/o relevantes las lecturas postnacionales y/o postcoloniales en estos contextos?

— ¿Cómo definen y conceptualizan los estudios ibéricos su propio objeto de estudio (la Península Ibérica como espacio geocultural)? ¿Qué tipo de jerarquías se establecen entre estados, naciones y regiones en el interior de la Península? ¿Cómo integra o excluye ese objeto de estudio integra fenómenos que sobrepasan las fronteras geográficas o políticas, como las migraciones, las diásporas, las relaciones insulares o de colonialidad?

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